Como receber um estagiário no primeiro dia: guia do gestor

Duas pessoas trabalhando lado a lado em notebooks, vistas de cima
4 minutos para ler

O estagiário chega às nove, e o time não sabe quem faz a recepção. O crachá não saiu, o acesso ao sistema fica para quinta e a mesa ainda tem caixa de papel em cima. Nenhum desses itens é grave sozinho, mas juntos passam o recado de que ninguém esperava por essa pessoa.

Receber um estagiário custa cerca de duas horas de preparo e define o tom do programa inteiro. Quem começa perdido leva semanas para pedir tarefa por conta própria. Com orientação desde a chegada, por outro lado, o estudante entrega algo útil já na primeira semana.

O que precisa estar pronto antes de receber um estagiário

Três itens são pré-requisito legal, não gentileza: o termo de compromisso assinado pelas três partes, o seguro contra acidentes pessoais contratado e o supervisor indicado. Essa pessoa precisa pertencer ao seu quadro de pessoal, ter formação ou experiência na área e pode acompanhar até 10 estagiários ao mesmo tempo.

Do lado prático, cinco itens evitam o dia improvisado:

  • mesa, computador e acessos liberados
  • crachá e cadastro na portaria
  • quem recebe e a que hora
  • a agenda da primeira semana
  • a primeira tarefa escolhida

Nada disso exige projeto de RH. Exige que alguém tenha olhado a lista na véspera.

As duas primeiras horas

Quem recebe deve ser quem vai supervisionar, e não a portaria. A apresentação ao time funciona melhor com o nome e a função de cada pessoa. Logo depois vem uma explicação curta do que a área faz e de onde entra o trabalho do estudante.

Diga os combinados básicos em voz alta, porque ninguém os adivinha. São quatro: horário de entrada e de saída, intervalo, canal usado nas conversas do dia e a quem recorrer na sua ausência.

Além disso, vale reservar quinze minutos para ler o termo de compromisso junto com o estudante. As atividades descritas ali são as que a lei espera ver na prática, e alinhar isso no primeiro dia evita o desvio de função que gera vínculo empregatício.

A primeira tarefa importa mais que o treinamento

Entregue no primeiro dia uma tarefa real, pequena e com começo e fim. Por exemplo, organizar uma planilha que alguém vai usar de verdade, revisar um cadastro ou acompanhar um atendimento com um roteiro de observação na mão.

Explique para que serve aquilo. Atividade sem contexto vira digitação, de modo que quem apenas digita não aprende a profissão nem rende no segundo mês.

Em seguida, combine o prazo e marque uma checagem antes dele. Perguntar como está indo no meio do caminho corrige o rumo enquanto o erro ainda é pequeno e barato.

O erro mais comum é deixar a pessoa sozinha

O padrão que mais aparece é o estagiário terminar a tarefa e ficar em silêncio, esperando que alguém perceba. Isso raramente é falta de iniciativa. Pelo contrário, costuma ser ausência de instrução sobre o que fazer quando o trabalho acaba.

Por isso, resolva com um combinado explícito: ao concluir, avisar e pedir a próxima. Diga também a quem levar dúvida na sua ausência, porque a alternativa é o estudante parar por duas horas sem que ninguém saiba.

O extremo oposto atrapalha igual. Encher o primeiro dia com quatro reuniões de apresentação não fixa informação nenhuma, e o que sobra ao fim da tarde é cansaço.

O primeiro dia não forma ninguém, mas decide o tom dos meses seguintes. Alguém que foi esperado, apresentado e ocupado com algo real chega ao segundo dia sabendo o que fazer, e essa diferença reaparece inteira na hora de decidir pela efetivação.

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Créditos: StockSnap/Burst (CC0 1.0)

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