Faculdade de psicologia: como escolher sua abordagem?
Conhecer as principais vertentes da psicologia durante a graduação ajuda o estudante a identificar a linha teórica mais alinhada aos seus interesses
A escolha da abordagem terapêutica costuma ser uma das principais dúvidas de quem ingressa na faculdade de psicologia. Nos primeiros semestres, as diferentes correntes surgem lado a lado nas disciplinas e parecem apenas formas distintas de explicar o comportamento humano. Com o início dos estágios e dos atendimentos supervisionados, porém, essa decisão passa a ganhar um peso maior. É nesse momento que muitos estudantes começam a perceber que cada linha teórica propõe formas diferentes de compreender o sofrimento psíquico e conduzir a prática clínica.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgados no Censo da Educação Superior 2024, mostram que a psicologia reúne cerca de 343 mil matrículas no ensino superior brasileiro, figurando entre os cursos mais procurados da área da saúde.
Em uma área profissional em constante expansão e com diferentes meios de atuação, antes de decidir qual caminho seguir, vale conhecer as principais vertentes e entender como cada uma influencia a atuação profissional.
Conheça as principais vertentes estudadas na faculdade de psicologia e em especializações
Psicanálise
Criada pelo médico austríaco Sigmund Freud, no fim do século XIX, a psicanálise parte da ideia de que experiências, desejos e conflitos inconscientes influenciam pensamentos, emoções e comportamentos.
A escuta clínica busca compreender essas dinâmicas por meio da fala e da interpretação dos conteúdos trazidos pelo paciente. Mais de um século depois, a abordagem segue presente na formação universitária e em instituições especializadas.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, primeira filiada à Associação Psicanalítica Internacional (IPA) na América Latina, foi fundada em 1951 e ajudou a consolidar a formação de analistas no país. Para estudantes de psicologia interessados na subjetividade, em processos terapêuticos mais aprofundados e na investigação das experiências de vida, para além dos sintomas que surgem na superfície, essa costuma ser uma escolha natural.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Enquanto a psicanálise volta o olhar para a construção da história do indivíduo, a Terapia Cognitivo-Comportamental direciona a atenção para padrões de pensamento e comportamento que podem ser identificados e modificados no presente. Desenvolvida pelo psiquiatra Aaron Beck, na década de 1960, a abordagem considera que pensamentos, emoções e comportamentos se influenciam continuamente.
Por isso, utiliza estratégias estruturadas para ajudar o paciente a desenvolver respostas e padrões de comportamento mais adaptativos diante dos desafios do cotidiano e dos sintomas recorrentes de alguns transtornos. Hoje, a TCC reúne uma das mais amplas bases de evidências científicas da psicologia e aparece com frequência em diretrizes internacionais para o tratamento de transtornos como ansiedade e depressão. Costuma atrair estudantes que preferem intervenções objetivas e acompanhamento sistemático da evolução clínica.
Humanismo
A psicologia humanista surgiu na segunda metade do século XX como uma alternativa às correntes que concentravam suas explicações apenas no inconsciente ou no comportamento observável. Inspirada em autores como Carl Rogers e Abraham Maslow, a abordagem entende que cada pessoa possui potencial para desenvolver suas capacidades quando encontra um ambiente de acolhimento e respeito.
Nesse modelo, o terapeuta atua como facilitador do processo de autoconhecimento, valorizando a autonomia e a experiência individual do paciente. O crescimento da procura por cuidados em saúde mental reforça a importância desse olhar. Segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde realizou quase 13,9 milhões de atendimentos psicológicos em 2024, ampliando a demanda por diferentes formas de cuidado, incluindo mais técnicas de abordagens humanistas.
Como escolher a abordagem ideal?
A definição da abordagem dificilmente acontece por afinidade com um único autor ou disciplina. Na verdade, ela costuma amadurecer conforme aumentam as experiências em estágios, a supervisão clínica e o contato com diferentes perfis de pacientes e atendimentos.
Antes de decidir, vale observar quais temas despertam maior interesse, em quais contextos pretende atuar e quais métodos fazem mais sentido para a própria forma pessoal de cada estudante em compreender o comportamento e a psique humana.
Também é importante considerar em quais ambientes se pretende trabalhar, como clínicas, hospitais, escolas, empresas ou instituições públicas, já que algumas abordagens aparecem com maior frequência em determinados contextos. Outro fator importante é refletir sobre o próprio perfil. Há estudantes que preferem processos terapêuticos mais estruturados, enquanto outros se identificam com investigações clínicas de longo prazo ou modelos centrados na experiência do paciente.
Assim, ao longo da faculdade de psicologia, o contato com diferentes perspectivas entre as matérias da grade permite que a escolha da abordagem seja resultado da prática, da reflexão e do projeto profissional que cada estudante pretende construir.
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