Desigualdade entre homem e mulher no mercado de trabalho: tema batido, ultrapassado? Infelizmente não.

Apesar de representarem a maioria da população e da classe trabalhadora brasileira, 53% das mulheres consideram que as empresas em que trabalham não oferecem meios para ampliar a promoção feminina a cargos de gestão; ou seja, a evolução da mulher no mercado de trabalho está nitidamente estagnada.

Até mesmo a moda, uma indústria essencialmente sobre roupas femininas, sustentada pelo dinheiro delas, com imagens que vendem para elas, ainda é comandada pelos homens.

O que, afinal de contas, as empresas podem fazer para reverter esse quadro e ajudar na evolução das mulheres no mercado de trabalho?

Antes de falar das iniciativas, quero mostrar um estudo bastante curioso pra você, realizado pela Escola de Graduação em Negócios da Stanford. Esse estudo encontrou como solução pra diminuir a desigualdades nas empresas, o acréscimo de mulheres na lista de candidatos à contratação ou substituição.

Os participantes deveriam assumir o papel de presidente de um comitê corporativo, e deveriam escolher um substituto para uma pessoa que não vai mais ocupar uma vaga.

Os pesquisadores aumentaram o número de candidatas, fazendo com que o número de mulheres superasse o de homens.

Essa intervenção foi suficiente para que os participassem escolhessem mais mulheres para integrar a equipe, ou seja, a mulherada tem que dominar os processos seletivos para que haja a evolução da mulher no mercado de trabalho!

Pronto, precisava te contar sobre esse estudo.

Muito interessante, não é?

Mas e quem é a favor da evolução da mulher no mercado de trabalho?

Tem uma Associação muito bacana na luta pelas mulheres dentro das empresas.

Chama-se Associação Movimento Mulher 360, que está alinhada com os princípios de empoderamento da ONU Mulheres e visa incorporar a igualdade de gênero e contribuir para a evolução da mulher no mercado de trabalho com suas estratégias de negócios.

As multinacionais que fazem parte dessa Associação (pelo menos a maioria delas), você conhece muito bem. São elas: Bombril, Unilever, J&J, Santander, Walmart, Cargill, Del Rio, PepsiCo, Coca-Cola, Natura, Grupo Boticário, Nestlé e Diageo.

Como essa Associação contribui para a evolução da mulher no mercado de trabalho?

Essas empresas promovem diálogos entre os associados com o objetivo de incluir e alimentar uma inteligência coletiva ligada ao empoderamento da mulher, investem na promoção da diversidade da equipe, promovem educação, capacitação e desenvolvimento para as funcionárias, garantem a saúde, a segurança e o bem estar das mulheres, entre outras práticas.

O mais interessante dessa Associação é que cada empresa se responsabiliza por medir, documentar e publicar os progressos da companhia na promoção da igualdade de gênero.

Beleza, muito legal a iniciativa, pena que não são todas as empresas que fazem parte dela.

Você deve estar se perguntando o que a sua empresa pode fazer para colaborar com a evolução da mulher no mercado de trabalho mesmo sem fazer parte dessa e de outras Associações.

Listamos algumas, umas a curto e outras a longo prazo, mas todas são possíveis de serem colocadas em prática, tanto que muitas empresas já começaram a se movimentar nesse sentido.

Longas horas de trabalho = mais produtividade?

Muitos gerentes recorrem ao “tempo passado dentro da empresa” como principal indicador de produtividade, de valor de um indivíduo dentro de uma organização. Nesse sentido, quem sai perdendo é a mulher, que normalmente é responsável por cuidar da família.

Essa mesma mulher pode ter hábitos altamente produtivos no trabalho, e, se novas normas de indicação de produtividade forem adotadas, ela terá a recompensa e o estímulo merecidos.

Redes sociais e indicações pra preencher vaga?

Empregar métodos de recrutamento abertos para preencher vagas, como classificados e agências de emprego, é uma boa estratégia. Estudos confirmam que esse tipo de atitude aumenta o número de mulheres em cargos de gestão, o que ajuda na evolução da mulher no mercado de trabalho.

Sua equipe só tem uma mulher?

Vários estudos apontam que uma mulher, quando está na posição de minoria absoluta, tende a ser ignorada pelos homens.

Isso piora quando ela chega a postos de maior poder e autoridade, pois se vê em um meio completamente tomado pelo sexo masculino, se sentindo, muitas vezes, marginalizadas.

As mulheres não estão socializando como deveriam dentro do ambiente de trabalho?

Como já dito anteriormente, as mulheres são as que têm maior responsabilidade perante a família. Essa prática resulta no sub-investimento da mulher no networking, mas não porque ela quer, mas porque ela foi colocada nesse lugar.

Quando não sobra muito tempo pras mulheres que trabalham e cuidam da família, a atividade social é a primeira a ser descartada por elas. Isso é péssimo e cabe à organização mostrar a importância da socialização para essas mulheres, que ganham muito com relações bem estabelecidas com redes de amplo poder.

Sua empresa está em dia com políticas de recursos humanos favoráveis à família?

Primeiro de tudo, esclarecendo quais podem ser essas práticas, por exemplo, temos a flexibilidade de horário, o trabalho em casa, creches na empresa ou outras alternativas pra quem precisar cuidar dos filhos e não tem com quem deixar.

Com esse apoio, amplamente adotados nos países nórdicos, a mulher pode permanecer no trabalho mesmo quando os filhos estão nas suas fases mais exigentes, podem construir o tão sonhado capital social (ou networking, como preferir), permanecem atualizadas do que está acontecendo dentro da empresa e podem disputar cargos mais elevados, afinal de contas, quem não é visto não é lembrado.

Homem se beneficiando ajuda à mulher?

Parece não fazer muito sentido essa frase, não é? Mas pensa comigo: quanto mais os homens usufruírem dos benefícios ligados à família, como licença-paternidade, por exemplo, menos as mulheres vão estar sujeitas ao desaceleramento ou paralisação de suas carreiras. Só a expectativa de que a mulher venha a tirar proveito desses benefícios já atrasa a evolução da mulher no mercado de trabalho.

E por aí vai… toda iniciativa é válida se é a favor da luta pela desigualdade de gênero e já está mais do que na hora de assumir essa responsabilidade. Se cada um fizer um pouco, mesmo que seja com propostas e ideias que ainda precisam de aprovação, já tá valendo!

Fonte: https://sejaknowhow.com.br/mercado-de-trabalho/a-evolucao-da-mulher-no-mercado-de-trabalho/

Autora: Cristiana Fernandes

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